sábado, 10 de dezembro de 2011

Vlad, o empalador

 .
Sua fama inspirou o escritor Bram Stocker a criar a figura do Conde Drácula. Seu nome era Vlad III. Ou, como se tornou mais conhecido, Vlad, o empalador.

Vlad foi um boiardo (aristocrata) que viveu na Europa Oriental, no século XV, em uma área que atualmente faz parte da Romênia. Embora fosse originário da Transilvânia, seu nome está associado à história de uma região vizinha, a Valáquia, onde até hoje ele é cultuado como um herói nacional.
.
Ele nasceu por volta de 1431, na cidade de Sighisoara (Schassburg, em alemão), na Transilvânia, localizada a cerca de 40 quilômetros ao sul de Bistrita. Teve dois irmãos: Mircea e Radu. A casa onde veio ao mundo está, atualmente, identificada por uma placa, onde se lê que seu pai ali morou de 1431 a 1435.
.
Sighisoara, Transilvânia
.
Sua mãe era a princesa Cneajna, da dinastia Musatin da Moldávia. E seu pai, que também se chamava Vlad, era o voivoda (senhor) da Valáquia, ainda que devendo vassalagem feudal aos soberanos da Hungria.
.
A ORDEM DO DRAGÃO

.
À época em que Vlad nasceu, toda aquela região vivia um clima político de conflitos e incertezas, sendo objeto de disputa entre os húngaros e os turcos otomanos, que forçavam as portas da Europa através dos Bálcãs, mal contidos pelo já debilitado Império Bizantino.
.
Parece ter sido nesse ano (1431) que seu pai ingressou na Ordem do Dragão (Dracul), cujo nome viria a adotar, passando a ser conhecido como Vlad Dracul (1).
.
A Ordem do Dragão era uma fraternidade militar e religiosa, criada pelo imperador Sigmund e sua segunda esposa, Barbara Von Cilli, com o propósito de defender a igreja católica contra heresias e organizar uma cruzada contra os turcos, que ameaçavam a península balcânica.
.n
Casa onde nasceu Vlad, em 1431.
.
Após lutar por vários anos contra os turcos, o pai de Vlad acabou preferindo fazer um acordo secreto com o sultão Murad II, e por isso, deixou de prestar o auxílio militar requerido pelo príncipe húngaro, Hunyadi, quando os otomanos invadiram a Transilvânia, em 1442. Essa traição lhe custou o governo da Valáquia, que ele só recuperou no ano seguinte, com o apoio do sultão, de quem se tornou vassalo.
.
Para garantir a fidelidade de seu aliado, Murad II tomou como reféns dois de seus filhos: Radu e o jovem Vlad. E foi assim que o príncipe Vlad tornou-se um hóspede forçado na corte do sultão, onde permaneceria até 1448.
.
Em 1447, seu pai morreu em uma emboscada armada pelos húngaros, e seu irmão, Mircea. Aprisionado, foi enterrado vivo (ou queimado vivo, segundo outra versão). O domínio da Valáquia ficou com Vladislav, vassalo de Hunyadi.
.
Disposto a tudo fazer para tomar posse do que entendia ser seu por herança, Vlad convenceu o sultão a libertá-lo e ajudá-lo a retomar o que fora tirado de seu pai. Com o apoio de tropas turcas, conseguiu o que pretendia, mas foi uma conquista efêmera, pois, alguns meses depois, Hunyadi atacou e forçou-o a fugir para a Transilvânia.
.
Abandonado pelos turcos e perseguido por Hunyadi, Vlad passou um dos períodos mais difíceis de sua vida. Não tardou a ter que também deixar a Transilvânia, buscando refúgio na Moldávia, onde se encontrava quando a situação se alterou a seu favor. Vladislav passara para o lado dos turcos e, devido a isso, Hunyadi resolveu fazer as pazes com o antigo inimigo. Vlad tornou-se, finalmente, voivoda da Valáquia, sob a proteção de Hundyadi, a quem passou a dever vassalagem.
 .
O EMPALADOR
.
Em 1453, os turcos tomaram Constantinopla e as portas da Europa Oriental se abriram à invasão otomana. A princípio, Vlad lutou sob a bandeira de Hunyadi contra os invasores, mas quando este morreu, ele se sentiu livre da tutela húngara, tornando-se senhor único e absoluto da Valáquia. Fazendo da cidade de Trigoviste sua capital (onde construiu um castelo, próximo ao rio Arges), resolveu travar sua própria guerra com os turcos.
.
Foi no período de 1456 a 1462 que Vlad Dracula construiu sua dupla fama: de um lado, a de herói nacional da Valáquia, defendendo-a contra a avalanche turca; de outro, a de um tirano cruel, que se comprazia em infligir aos inimigos (internos e externos) sofrimentos atrozes. Sua preferência pelo suplício da empalação acabaria lhe granjeando a alcunha de "Tepes" (empalador), com a qual entrou para a História.
.
A empalação consistia em pendurar a pessoa em uma estaca, fincada ao chão, que era introduzida, geralmente, através do ânus da vítima. Para evitar que órgãos vitais fossem perfurados, provocando morte rápida, a estaca era arredondada, não afiada e untada com óleo. Desse modo, o condenado só morria após horas (ou mesmo dias) de agonia.
.
Para semear o terror, Vlad costumava deixar os corpos apodrecerem nas estacas, como uma forma de aviso aos seus inimigos. Um relatório militar, datado de 1460, menciona que uma tropa turca, ao penetrar em território valáquio, recuou, atemorizada, ao deparar com centenas de estacas erguidas às margens de um rio, das quais pendiam corpos em adiantado estado de putrefação.
.
 Busto de Vlad Dracul em Sighisoara.
.
A bem da verdade, diga-se que Vlad não era o único a usar esse método abominável de execução. Os turcos também o usavam, e é até provável que tenham sido eles a introduzi-lo na Europa Oriental. Diga-se também que, nessa época, castigar os inimigos com requintes de crueldade era prática corriqueira e aceita por todos, fossem cristãos ou muçulmanos. Mas Vlad "Tepes" acabou se tornando célebre pela grande quantidade de pessoas que imolou, nos poucos anos em que exerceu o poder supremo na Valáquia.
.
Além da empalação, ele também se dedicava a outras práticas não menos cruéis, tais como: enterrar pregos na cabeça e outras partes do corpo da vítima; decepar braços, pernas, orelhas e narizes; e mutilar órgãos sexuais de pessoas "sem castidade", especialmente esposas infiéis e mulheres de vida promíscua.
.
Apesar de seu destemor e de ter obtido vitórias importantes, Vlad não conseguiu deter o avanço turco. Em 1462, viu-se obrigado a fugir da Valáquia, deixando para trás a esposa, que se suicidou, atirando-se da torre do castelo, para não cair nas mãos dos muçulmanos. Dirigindo-se à corte de Matthias Ccovinus, rei da Hungria, pediu auxílio para recuperar seu reino, mas não teve êxito, chegando a ficar detido, por algum tempo, na prisão real.
.
Depois de solto, permaneceu na corte húngara até 1474, período em que teria desposado uma donzela parente do rei. Enquanto isso, seu irmão Radu, que se convertera à causa turca desde o tempo em que era refém do sultão, governava a Valáquia, em nome do monarca otomano.
.
Quando o irmão morreu e foi sucedido por Basarab (outro marionete do sultão), Vlad tentou recuperar seu reino, aliando-se ao príncipe da Transilvânia. De início, chegou a colher algumas vitórias contra as tropas de Basarab, mas, ao enfrentar as forças turcas, acabou sendo morto numa batalha, em dezembro de 1476.
.
Sua cabeça foi levada ao sultão, que a mandou ser exposta em uma estaca, para que não pairassem dúvidas sobre sua morte. O corpo decapitado foi enterrado no mosteiro de Snagov, perto da atual Bucarest.
 .
Castelo de Vlad em Trigoviste (Romênia).
.
BRAM STOKER E O MITO DO VAMPIRO
.
A extrema crueldade de Vlad e o terror que infundia em seus inimigos respondem pela fama de "demônio", que tanto os seus contemporâneos quanto a posteridade lhe conferiram. Considere-se também que essa associação foi favorecida pela semelhança entre as palavras romenas "dracul" (sobrenome adotado que Vlad herdou do pai), cujo significado é "dragão", e "drac" (em alemão, "drache"), que significa "demônio".
.
Apesar disso, em toda a tradição da Europa Oriental, jamais sua pessoa foi associada ao mito, muito difundido na região, dos "mortos-vivos", ou "vampiros", referidos pelos termos "vrolok" (em idioma eslovaco) ou "vlkoslak" (em sérvio). Essa associação só viria a ser estabelecida, no mundo ocidental, a partir do romance "Drácula", escrito pelo irlandês Bram Stoker, e editado, pela primeira vez, por Archibald Constable & Company, em 1897.
.
Possivelmente Stoker não tenha realizado uma pesquisa mais aprofundada sobre a história de Vlad, limitando-se a recolher o nome "Drácula" (2), em sua acepção deturpada de "filho do demônio", e inserí-lo no contexto lendário dos vampiros, seguindo o caminho aberto por Thomas Preskett Prest, autor de "Varney, o vampiro" (1847), e Sheridan Le Fanu, criador de "Carmilla" (1872). Talvez por isso ele cometa o erro de situar o castelo de Drácula na Transilvânia, ao invés de na Valáquia.
.
Além disso, o cinema ajudou a amplificar o prestígio do "vampiro da noite", encarnado na tela por atores como Bela Lugosi, Klaus Klinski, Christopher Lee, Gary Oldman, entre muitos outros.
.
Conde Drácula, criação do escritor Bram Stocker.
..

(1) O "a" final indica "filho de"; logo, Dracula significa "filho de Dracul", ou "filho do dragão".
.
(2) Originalmente, a palavra "dracula" é paroxítona (em português seria escrita sem acento), mas Bram Stoker tornou-a proparoxítona, seguindo tendência do idioma inglês.
 .
Baseado em texto escrito por Alvaro Pacheco Rodrigues.

Mais informações sobre Vlad no Wikipédia.
.

Um comentário:

  1. Dilma vc deixou eu mas 5 anos no caixaum mas agora minha vinganca sera maligna xuparei o sangue de todos pobre brasileiros
    Agora colocarei todos pobres no caixaum ate vim seu salvador o Lulinha paz e amor
    E assim voltar ao caixaum e viver nele pra sempre com meu sudito Moreira Qse Franco

    ResponderExcluir